
Coroa de Pipe Masters e da Triple Crown of Surfing que a Austrália não vencia há 10 anos

A temporada 2007 do ASP Men’s World Championship Tour pode ter sido a mais fraca de ondas da história, mas ficará marcada pela volta ao topo da Austrália que foi sacramentada com a vitória de Bede Durbidge no Billabong Pipeline Masters, que ainda valeu o título de campeão da Tríplice Coroa Havaiana. Desde Michael Rommelse em 1997 que um australiano não vencia o cobiçado troféu de melhor da temporada no Havaí. Principalmente com a coroa de Pipe Masters como conseguiu Bede Durbidge na final quase toda australiana com Dean Morrison e Joel Parkinson. Pancho Sullivan foi o único havaiano na bateria e ficou em terceiro lugar no último pódio do ano.

O campeonato foi decidido praticamente na segunda tentativa de Bede Durbidge, que acabou sendo a melhor onda do dia e levou nota 9,5 dos juízes. Ainda pegou outra boa para fechar sua primeira vitória no Havaí com um 7,17 na última onda que surfou em Pipeline. Com a vitória, tirou a quinta posição no ranking do havaiano Andy Irons, que foi eliminado logo no primeiro confronto do dia, ainda pela quarta fase que abriu a segunda-feira de ondas irregulares de 1,5 metro de altura. Três brasileiros competiram e o catarinense Neco Padaratz ganhou o confronto brasileiro com o gaúcho Rodrigo Dornelles, mas perdeu para o vice-campeão mundial Taj Burrow nas oitavas-de-final do Billabong Pipeline Masters.

Billabong Pro Finalistas Dean Morrison, Bede Durbidge,Joel Parkinson e Pancho Sullivan.
BRASIL NO WCT 2008 - Os dois e o carioca Leonardo Neves confirmaram suas permanências entre os 27 que ficaram pelo WCT, enquanto o paulista Adriano de Souza saiu deste grupo no Havaí e teve que usar sua vaga da divisão de acesso confirmada nas vitórias no Maresia Surf International em Itajaí e no Onbongo Pro Surfing em Ubatuba. O WQS também classificou as duas novidades do Brasil para 2008, o paranaense Jihad Kohdr e o cearense Heitor Alves, com o time verde-amarelo caindo de sete para seis surfistas nos top-42 da ASP.

O pernambucano Bernardo Pigmeu ainda poderia manter o mesmo número se passasse pelo havaiano Pancho Sullivan, mas saiu do WCT junto com o carioca Raoni Monteiro(FOTO acima) e o cabo-friense Victor Ribas. O máximo foi de 11 brasileiros em 2001, caiu para 10 no ano seguinte, 9 em 2003, aí começaram a chegar os sul-africanos ganhando espaço e agora são os europeus que vêm aumentando seu grupo. O “Estreante do Ano”, Jeremy Flores, em 2008 terá a companhia do também francês Mikael Picon que volta a elite e das novidades Tiago Pires de Portugal e Aritz Aranburu do País Basco.
VAGA NO SUFOCO - Com a saída de Victor Ribas, brasileiro que chegou mais perto do título mundial com o terceiro lugar em 1999, a equipe verde-amarela passa a ter como mais experientes o gaúcho Rodrigo Dornelles e o catarinense Neco Padaratz, dono das duas últimas vitórias do Brasil no WCT, em 2001 nos Estados Unidos e em 2002 na França. Depois do sufoco que passou contra a fera Sunny Garcia, mas que valeu a vaga nos top-27 do ranking, Neco fez um confronto brasileiro com Rodrigo na quarta fase e avançou para as oitavas-de-final, quando foi barrado por Taj Burrow.
Foi também nas oitavas-de-final a primeira grande apresentação do novo Pipe Masters Bede Durbidge na segunda-feira. Ele achou os tubos para liquidar Fredrick Patacchia com notas 9,10 e 8,83 no maior placar do dia, 17,93 x 13,00. Mas o havaiano cumpriu o objetivo de confirmar sua vaga no WCT 2008 com o nono lugar no Billabong Pipeline Masters. Bruce Irons também foi buscar sua permanência só agora na última etapa, com os havaianos tirando o paulista Adriano de Souza e o sul-africano Travis Logie do grupo dos 27 primeiros.
ÚLTIMAS CHANCES - O brasileiro então precisou usar a vaga conseguida pelo ranking de acesso com as duas vitórias na “perna brasileira de fim-de-ano” da ASP South America, tirando o australiano Nic Muscroft da lista dos 15 do WQS que estavam se classificando para completar a elite do ano que vem.
Em Banzai Pipeline, todos que ainda buscavam as últimas vagas entre os 27 do WCT perderam logo em seus primeiros desafios na segunda-feira de ondas irregulares, com raras exceções durante o dia que foi inaugurado com a eliminação do defensor do título do Pipe Masters, Andy Irons, para um dos convidados havaianos que entraram na segunda fase, T. J. Barron.
O novo campeão mundial Mick Fanning também perdeu por pouco para Ian Walsh pelo resultado apertado de 11,67 x 11,30 pontos. Depois dessa, acabaram-se as surpresas e as chances de quem ainda disputava as últimas vagas de top-27 para o WCT 2008.

O sul-africano Greg Emslie caiu na segunda bateria do dia para C. J. Hobgood(acima na FOTO), o também norte-americano Cory Lopez despediu-se da elite contra Luke Stedman, aí veio a derrota de Mick Fanning e em seguida uma debandada com três australianos também acabando na zona do rebaixamento, Phillip MacDonald, Josh Kerr e Troy Brooks.
Cresceram as chances para o pernambucano Bernardo Pigmeu, que lutou bastante pela classificação que lhe garantiria entrada nos 27 primeiros colocados do ranking, em lugar do sul-africano Royden Bryson, que tinha vaga pelo WQS também e continuaria na elite em 2008. Só que o havaiano Pancho Sullivan surfou a melhor onda da bateria, decisiva para definir a vitória por 12,67 x 11,17 pontos e Pigmeu terminou em 32.o no ranking.

Lindy Irons, North Shore de Oahu, Hawaii
PIORES ONDAS - Todos lamentaram as condições do mar em Pipeline, que para muitos é a melhor etapa do ano por seus tubos rápidos e perigosos quebrando numa rasa e afiada bancada de corais. Só que para fechar um ano de ondas fracas em praticamente todas as etapas, com o Hang Loose Santa Catarina Pro sendo uma das poucas exceções apresentando grandes ondas na Praia da Vila de Imbituba, a temporada acabou no pior mar do Pipeline Masters dos últimos anos. Foi assim também na temida Teahupoo no Tahiti, em Jeffreys Bay na África do Sul, na Gold Coast australiana, em Trestles nos Estados Unidos, na França, Espanha, enfim, quase todas.

Kelly Slater
AUSTRÁLIA NO TOPO - Mas, 2007 certamente ficará marcado pela ressureição do surfe australiano, sacramentada na troca de guarda festejada por todo lado em Pipeline. O ex-campeão mundial Mark Occhilupo e o baixinho Michael Lowe encerraram as carreiras, enquanto Mick Fanning e Stephanie Gilmore comemoravam os títulos mundiais e outro grande valor da nova geração, Bede Durbdige, ganhava o Pipe Masters e a Tríplice Coroa Havaiana, feito que um australiano não conseguia desde Michael Rommelse em 1997, dez anos atrás. O do WCT, o último havia sido em 1999 com Mark Occhilupo e o vice-campeão da temporada foi Taj Burrow, Joel Parkinson ficou em quarto e Bede Durbidge em quinto.
RANKING FINAL DO WCT 2007 – 10 etapas – os 27 que ficaram para 2008:
Campeão: Mick Fanning (AUS) – 8.136 pontos
Vice-campeão: Taj Burrow (AUS) – 7.104
03: Kelly Slater (EUA) – 6.516
04: Joel Parkinson (AUS) – 6.432
05: Bede Durbidge (AUS) – 5.774
06: Andy Irons (HAV) – 5.151
07: Pancho Sullivan (HAV) – 4.938
08: Jeremy Flores (FRA) – 4.770
09: Dean Morrison (AUS) – 4.690
10: Bobby Martinez (EUA) – 4.582
11: C. J. Hobgood (EUA) – 4.580
12: Kai Otton (AUS) – 4.563
13: Tom Whitaker (AUS) – 4.493
14: Taylor Knox (EUA) – 4.309
15: Damien Hobgood (EUA) – 4.274
16: Luke Stedman (AUS) – 4.177
17: Chris Ward (EUA) – 3.987
17: Michael Campbell (AUS) – 3.987
19: Adrian Buchan (AUS) – 3.982
19: Rodrigo Dornelles (BRA) – 3.982
21: Neco Padaratz (BRA) – 3.934
22: Leonardo Neves (BRA) – 3.797
23: Fredrick Patacchia (HAV) – 3.675
24: Bruce Irons (HAV) – 3.660
24: Ricky Basnett (AFR) – 3.660
26: Daniel Wills (AUS) – 3.617
27: Royden Bryson (AFR) – 3.612
OS 15 CLASSIFICADOS PELO WQS PARA O WCT 2008:
Os brasileiros Adriano de Souza (SP), Jihad Kohdr (PR) e Heitor Alves (CE), o sul-africano Jordy Smith, os norte-americanos Dane Reynolds e Ben Bourgeois, os australianos Jay Thompson, Kieren Perrow, Daniel Ross, Dayyan Neve e Luke Munro, o português Tiago Pires, o espanhol Aritz Aranburu, o havaiano Roy Powers e o francês Mikael Picon.
PERDERAM SUAS VAGAS NA ELITE MUNDIAL EM 2007 – 16 surfistas:
Os brasileiros Bernardo Pigmeu (PE), Raoni Monteiro (RJ) e Victor Ribas (RJ), os norte-americanos Cory Lopez, Gabe Kling e Tim Reyes (contundido), os sul-africanos Greg Emslie e Travis Logie (contundido) e oito australianos: Phillip MacDonald, Josh Kerr, Ben Dunn, Troy Brooks, Shaun Cansdell, Trent Munro, Michael Lowe e Mark Occhilupo.
GRANDE FINAL DO BILLABONG PIPELINE MASTERS:
Bede Durbidge (AUS) campeão com 16,67 pontos (notas 9,50 e 7,17) – US$ 30.000 e 1.200 pontos
Dean Morrison (AUS) vice-campeão com 13,00 (notas 7,83 e 5,17) – US$ 18.000 e 1.032 pontos
Pancho Sullivan (HAV) em terceiro lugar com 9,60 (5,67 + 3,93) – US$ 13.000 e 876 pontos
Joel Parkinson (AUS) em quarto lugar com 7,43 (5,33 + 2,10) – US$ 11.000 e 876 pontos também
QUARTAS-DE-FINAL – 5.o lugar (US$ 6.000 e 732 pontos):
01: Joel Parkinson (AUS) 16,50 x 13,73 C. J. Hobgood (EUA)
02: Dean Morrison (AUS) 11,00 x 10,50 Adrian Buchan (AUS)
03: Pancho Sullivan (HAV) 9,10 x 8,70 Chris Ward (EUA)
04: Bede Durbdige (AUS) x Taj Burrow (AUS)
OITAVAS-DE-FINAL – 9.o lugar (US$ 6.000 e 600 pontos):
01: C. J. Hobgood (EUA) 12,26 x 10,00 T. J. Barron (HAV)
02: Joel Parkinson (AUS) 16,00 x 9,00 Luke Stedman (AUS)
03: Adrian Buchan (AUS) 10,83 x 7,40 Ian Walsh (HAV)
04: Dean Morrison (AUS) 13,10 x 11,44 Jeremy Flores (FRA)
05: Pancho Sullivan (HAV) 14,93 x 6,26 Dayyan Neve (AUS)
06: Chris Ward (EUA) 12,33 x 11,50 Kelly Slater (EUA)
07: Taj Burrow (AUS) 12,90 x 12,17 Neco Padaratz (BRA)
08: Bede Durbidge (AUS) 17,93 x 13,00 Fredrick Patacchia (HAV)
QUARTA FASE – 17.o lugar (US$ 4.800 e 410 pontos):
01: T. J. Barron (HAV) 10,87 x 9,67 Andy Irons (HAV)
02: C. J. Hobgood (EUA) 13,00 x 11,17 Greg Emslie (AFR)
03: Joel Parkinson (AUS) 15,40 x 1,33 Laurie Towner (AUS)
04: Luke Stedman (AUS) 13,00 x 9,43 Cory Lopez (EUA)
05: Ian Walsh (HAV) 11,67 x 11,30 Mick Fanning (AUS)
06: Adrian Buchan (AUS) 14,50 x 8,87 Phillip MacDonald (AUS)
07: Dean Morrison (AUS) 12,10 x 9,00 Josh Kerr (AUS)
08: Jeremy Flores (FRA) 12,34 x 6,46 Troy Brooks (AUS)
09: Pancho Sullivan (HAV) 12,67 x 11,17 Bernardo Pigmeu (PE)
10: Dayyan Neve (AUS) 10,73 x 10,17 Tom Whitaker (AUS)
11: Chris Ward (EUA) 12,90 x 9,67 Bruce Irons (HAV)
12: Kelly Slater (EUA) 10,50 x 5,80 Mikala Jones (HAV)
13: Neco Padaratz (SC) 11,33 x 10,20 Rodrigo Dornelles (RS)
14: Taj Burrow (AUS) 12,00 x 4,70 Gavin Beschen (EUA)
15: Bede Durbidge (AUS) 12,50 x 8,27 Gabe Kling (EUA)
16: Fredrick Patacchia (HAV) 12,67 x 11,16 Kai Otton (AUS)
João Carvalho - Assessoria de Imprensa

Australiano Dayyan Neve